Saturday, June 18, 2011

fazes-nos falta, temos saudades tuas

"Eu não sou um exemplo do que é viver neste mundo. Sou um privilegiado. Mas não posso estar contente. O mundo é um inferno. Mas não vale a pena ameaçarem-nos com outro inferno porque já estamos nele. A questão é saber como é que saímos dele."


José Saramago

ontem recebi um presente

Não veio embrulhado, não cheirava a perfume. Não tinha peso, nem consistência. Não tinha forma, não lhe podia adivinhar os contornos. Não se podia ver numa qualquer montra, nem tão pouco percorrer com os dedos num catálogo. Mas este presente não era feito de ar - era feito sim de palavras e carinho.

mal posso esperar

Monday, June 13, 2011

pode alguém ser quem não é - II

A resposta é um categórico não. Hoje esqueci-me pela enésima vez do cartão da empresa - ficou a fazer companhia ao cartão de débito, que me fez falta quando quis levantar dinheiro. Cheguei a casa e fiquei contente quando o vi - pior que me ter esquecido do cartão era tê-lo perdido - e quantas vezes é que isso já me aconteceu? Voltei a sair de casa, para levantar dinheiro e comprar umas coisas para o jantar, and guess what? Ao menos apercebi-me que me tinha esquecido outra vez do cartão ainda na fila e assim evitei a vergonha de não ter nem uma libra para pagar as compras. Massa com atum é o que me espera esta noite, a ver se fico mais esperta.

Sunday, June 12, 2011

alma

Há cidades obviamente bonitas. É impossível não gostar delas, é fácil deixarmo-nos encantar. Paris é assim, Edimburgo, Amsterdão. Outras vão-nos conquistando lentamente, sem repararmos. Basta tropeçarmos num café giro, uma ruela escondida, um mercado cheio de flores. Glasgow é assim - uma cidade industrial sem muita graça se não deambularmos pelo West End. Berlim não é uma cidade linda, mas tem certamente alma.

Copenhaga apanhou-me de surpresa. Não é imaculada como Estocolmo, tem qualquer coisa que não é nem palpável ou mensurável. Foi exactamente isso, isso que não consigo descrever, que me fez gostar dela. O porto é delicioso, a biblioteca da Universidade linda. Senti-me verdadeiramente emocionada no Museu Louisiana e privilegiada por ter apanhado uma exposição temporária dedicada ao Picasso. Para além de quadros do (honestamente posso afirmar isto) meu pintor preferido, estavam lá expostos jornais e posters de Congressos pela Paz, com as suas famosas pombas. O museu era ele mesmo uma obra de arte, à beira-mar, com jardins repletos de esculturas. Também gostei muito dos quadros de Asger Jorn, um pintor dinamarquês que desconhecia, e das esculturas de Giacometti.

Foi um fim-de-semana descontraído, sem grandes preocupações e sem olhar muito para o guia. Tempo para ver a final da Liga dos Campeões enquanto bebericávamos uma Carlsberg, para brincar na loja da Lego e matar saudades da infância. Tempo para sentir a cidade e espreitar-lhe a alma.