Wednesday, January 4, 2012

o primeiro de 2012

'Tudo não passou de um instante, irrepetível e irreproduzível. Um momento particular, é certo, no qual uma mulher desafiou ou foi forçada a confrontar uma autoridade que a impedia de fazer aquilo que julgava certo. Mas achas mesmo que esse instante merece tudo isso?'

'Foi um instante, mas que dura para sempre', respondi, as minhas palavras parecendo pela primeira vez verdadeiras, como se viessem de um lugar remoto e desconhecido. 'Talvez durem todos os instantes de quem tem razão e, ainda assim, fracasse.'

in Anatomia dos Mártires, João Tordo


PS. Já ia a meio do livro quando embarquei no avião que me iria trazer de volta a Londres e acabei de lê-lo antes de passar pelo controlo de passaportes, aquando da minha chegada. Não faço por isso outras considerações que vão muito para além do facto de ter achado o livro bem escrito. Para dizer mais do que isto, e fazê-lo sem enumerar uma série de disparates, teria que ter lido este livro muito mais devagar. Não me importa, assim, saber que o livro foi apresentado pelo Pacheco Pereira. Não quero saber o que ele disse ou as análises que fez sobre a obra.


O João Tordo é um bom escritor e sabe contar histórias. Posso até não me rever na sua 'tentativa de reconciliação de um escritor nascido imediatamente após a revolução de Abril com o passado'. Anatomia dos Mártires é um livro comovente, não tanto pelo conteúdo mas principalmente pelo magnífico uso da língua portuguesa - e isso, penso eu, conta muito.

o último de 2011

"Angry at what?, Sandy asked anxiously.

She was a strapping woman with stern gray eyes and hair short as a soldier's under her gray Red Cross cap, but it was in the softest maternal tones, with a gentleness that came as yet another of the day's surprises, as though Sandy were one of her very own charges, that she explained, 'At what people get angry at - at how things turn out'."


in Plot against America, Philip Roth

Saturday, September 17, 2011

este blog mais parece um cartaz de cinema

Na passada quinta-feira começou o 31o Festival de Cinema de Cambridge. O ambiente no café do Arts Picture House parece de festa e são muitos os filmes que vão ser exibidos durante 10 dias. Conversa com os actores, realizadores e escritores vão preencher o intervalo entre as sessões. Um mimo. Hoje fui ver o primeiro dos cinco filmes que escolhi - dei preferência aos documentários e prioridade a filmes mais improváveis. Aqui fica um cheirinho do que me espera.









Sunday, September 4, 2011

hoje, mais do que nunca, é preciso lembrar

"A nuvem de estorninhos não cessa de se enovelar e subir, de despenhar-se e fugir. Os estorninhos juntam-se para se defenderem do milhano que os espreita; já sabem que se dispersarem as garras não os poupam. Assim, em multidão o perigo afasta-se.


Os estorninhos ensinam os homens – os homens teimam ainda em não compreender a lição."


in Gaibéus, Alves Redol

catching up

Na sexta foi Natal cá em casa. Recebi os cds do Bon Iver e dos Okkervil River e comprei dois filmes que não vi há dois anos atrás: An Education e Crazy Heart. Depois de uma tarde a fingir que sou canalizadora (e ter deixado os canos da cozinha em pior estado do que aquele em que estavam inicialmente), soube mesmo bem vê-los. Filmes com argumentos bem pensados e com excelentes actores - assim dá gosto.