Monday, April 9, 2012

diários de malta - dia 6

Muito dormi eu na Sicília. Acordámos às cinco da manhã e duas horas depois atracámos em terras Sicilianas. Com os olhos a pestanejar de tanto sono que levava, ainda assim acordei a tempo de ver as marcas deixadas pelo Etna na paisagem. Rocha balsáltica, rios de lava consolidada podiam ver-se por aquelas encostas abaixo. Lá longe, o Etna espreitava e impunha-se. Subimos num funicular até aos 2500m e até aos 3000m num jipe enorme que rompia por entre a neve que ainda não derreteu.

Chegámos ao fim do mundo, pensei. Céu azul, entrecortado de negro. Paisagem lunar, linda, austera. Apetecia ficar ali e decorar cada relevo, não fosse o vento e o frio que nos adormeceu a cara, os dedos e as orelhas. O passo tinha que ser certo e apressado. As fotografias não lhe farão justiça, muito menos as minhas palavras. Ainda bem que lá fui e espero não me esquecer daquele negro, daquela imensidão e da solidão que lá se pode sentir.

diários de malta - dia 5

Chegados ao quinto dia da nossa viagem já ninguém tem paciência para o nosso pobre guia e para as histórias dos Cavaleiros de Malta. Mas enfim, continuamos a tropeçar nas marcas por eles deixadas, tanto na actual capital de Malta, Valletta, como na antiga, Mdina.

Valletta pareceu-nos cheia de vida e lamentei-me por não ser ali o nosso hotel, onde certamente veríamos mais do espírito que habita a ilha. Mdina transpira antiguidade, parecendo porém abandonada, sem gente a correr por aquelas ruas. Quase uma cidade-museu ou mesmo uma cidade-fantasma. Que estranho.

Tempo para comprar mais umas prendinhas e fazer balanços.

diários de malta - dia 4

Visita a Gozo, a segunda ilha de Malta. Mais pequena, a mesma paisagem, feita de casinhas e mais casinhas. Esqueci-me de mencionar este facto importante, que é, talvez, um dos denominadores comuns aos habitantes da ilha: quase todas as casas têm um santo à porta e muitas estavam enfeitadas para a semana santa que se avizinha. Segundo as contas do guia, 97% da população é católica. Pelo que vimos, não é exagero.

Outra coisa que nos espantou, aqui, mas também na ilha maior, foi a quantidade de casas abandonadas. Há mais casas que Malteses, saímos de lá com essa certeza. O nosso guia (o tal anarco-sindicalista), antigo arquitecto que deixou de o ser, contou-me que não queria ajudar a construir nem mais uma casa que fosse naquela terra. Contou-nos aquelas histórias de conquistas e povos e assim vai vivendo a defender o país que é o seu - ou assim o imagino, com o meu coração dedicado a imaginar moinhos e a inventar D. Quixotes.

diários de malta - dia 3

Sudoeste da ilha: geografia mais acidentada, as arribas fazem as vezes das fortalezas que vimos na zona Este de Malta. Menos casas e mais verde. Mais uma viagem de barco, uma casquinha que nos levou por grutas, recortadas por um mar azul turquesa. Rimos com o vento e o sol a aquecer-nos a cara - haja memória para registarmos estes dias e guardar para sempre aquele azul.

Penso que neste dia também vimos uns monumentos megalíticos, bem preservados, cuja história e significado foi explicado até à exaustão pelo nosso guia. Calhou-nos um homem muito falador (chato dirão alguns do nosso pequeno grupo) que nos explicou a história de Malta de trás para a frente. Estaríamos certamente prontos para um exame escrito aquando do regresso a Portugal. Os Cavaleiros de Malta foram o tema preferido, sem dúvida pela importância que tiveram e que ainda hoje têm no país. Poderia falar (falou!) deles até à eternidade. Via-se que era uma pessoa culta e que gostava daquilo que fazia. Dos nabos que da púcara tentei tirar, convenci-me que é anarco-sindicalista. Lá pinta e conversa tinha-a toda e um guia assim assentou-nos bem.

diários de malta - dia 2

Malta é uma imensa fortaleza e as cidades sucedem-se. Não há muito campo por estes lados e é difícil perceber onde estamos - só com a ajuda de um mapa e depois de perguntarmos mil vezes ao guia o nome da terra que víamos no horizonte. Por esta terra andou quase toda a gente: gregos, fenícios e romanos; turcos, espanhóis, portugueses, as tropas napolitanas e os ingleses. E claro, os Cavaleiros de Malta. A história cruza-se connosco quando andamos pelas ruas e quando avistamos os mil portos de Malta - histórias de ocupantes e ocupados, de ocupantes que foram, mais à frente, ocupados.

Ilha com 450 mil habitantes, saímos de lá sem perceber qual é a identidade que resume os malteses. Talvez porque aquele pedaço de terra, encalhado no Mediterrâneo entre o Norte de África e tão perto de Itália, é o resultado daquele rumar de gente tão diferente. Esses viajantes não deixaram uma marca distinta, ou, pelo contrário, deixaram bocadinhos que se foram diluindo no que já lá estava. Não sei.

O segundo dia da nossa viagem foi passado a percorrer as ruas antigas de Cospicua, Senglea e Vittoriosa. À tarde demos uma volta de barco e vimos os mesmos povoados do mar, este tão azul, tão lindo, com tantos barquitos de pesca. Vale a pena vir para este lado do mundo só para ver este mar.

diários de malta - dia 1

Companheiros de viagem: Marta e o Pai, o Fernando e a Paula, a Lena, o Luís e a Teresa.

O início da viagem foi atribulado. Perdemos o avião em Frankfurt e ali tivemos que ficar, num daqueles hotéis construídos para dar guarida a turistas encalhados como nós. Rumámos a Malta na manhã seguinte, desta vez sem correrias ou atrasos. Já as malas, essas, decidiram ficar em terras alemãs por mais uma noite. Consolada estava eu, desta vez a má sorte não calhou só a mim - eram mais de 30 os aflitos.

Primeiras impressões da ilha: muitas casas, em tons de castanho claro e telhados cortados a direito, preenchem o horizonte. O céu azul e o mar enchem-nos de imediato os olhos.

Monday, March 26, 2012

arrumações

Andei em arrumações cá em casa. A estante já estava a rebentar com tantos livros e resolvemos (ideia da Marta, claro!) acrescentar umas quantas prateleiras. Organizei livros e DVDs por género, autor e altura. Enfim, a altura talvez tenha sido o critério dominante - não tenho assim tantos livros do mesmo autor e não tive tempo para pensar em que géneros se divide a minha biblioteca. Criei, isso sim, uma categoria chamada "os DVDS que me envergonho de algum dia ter comprado e visto e que, mesmo sob tortura, nunca reconhecerei como sendo meus".